Claudio Willer
cjwiller@uol.com.br

Versión al español de Benjamín Valdivia
valdivia@quijote.ugto.mx
 

Poemas para leer

en voz alta
 
1

EROS
 

viajantes inertes

inmersos en el silencio de esas horas

cuando el tiempo no es más tiempo

sino lasitud

y nuestros cuerpos jadeantes construcciones

envueltas en desnudez

testificada apenas por los objetos de la casa, los cuadros en la pared, los pesados muebles, los libros y sus lomos, macetas, espejos, y además la negra silueta de los edificios recortados contra la ventana

rostro ciego de la ciudad ahora adormecida al observarnos fijamente

yo brujo, tú sibila

¿qué dioses adoramos?

parados en la pausa entre sobresaltos

¿qué alquimia inventamos?

el peso que nos paraliza y adormece

no es cansancio

sino otra cosa

sensación de lo profundo

el obscuro sentir

del mundo que respira

por los poros de la oscuridad

y nosotros, maniatados por el placer, apenas conscientes

de la presencia de los objetos de la casa, muebles, macetas, libros, almohadones esparcidos por el olor, nuestras ropas tiradas al acaso, aparte del negro recorte de los edificios por detrás de la ventana

perfil del paisaje urbano, testimonio impasible

mal sabemos quién somos

apenas recordamos nuestros nombres

nos quedan el reposo y una intuición

despierta hacia el tibio mundo de nuestros cuerpos

nunca, nunca había sentido eso antes así
 
 

2

cuando el calor de la noche de verano

y la lluvia de la noche de verano

se encuentran

y son la misma corriente de vida al escurrir por nuestras arterias

entonces

nos reconocemos por las caricias

un arco iris se puede posar en la cabecera de la cama

una nube puede servir de cobija

un paisaje de sol naciente

en una playa empuntillada de tiendas de acampadores

se refleja en el lago luminoso de su vientre

la montaña con su ladera recubierta de matorrales

donde una vez nos extraviamos entre nacientes de ríos

proyectan su sombra en sus quebradas

planicies removidas por el viento alisio

que atraviesa el continente, el universo

son nuestra imaginación febril
 
 

3

la colcha era verde

y la lámpara azulada

acostumbraban oír músicas lentas y suaves

hallaban que el estante repleto de libros tenía un aire solemne

y gustaban de eso

de cualquier cosa

que sugiriese un ambiente sobrenatural

eran rápidos, muy rápidos en sus juegos intelectuales

se servían en tazas desbordantes, burbujeantes

y todo era conversado con una cierta indiferencia

con la naturalidad de hace tanto tiempo

tenernos habituados a estar juntos, a quedar desnudos, a besarnos en la boca

acostarnos sobre la colcha verde del sofá, a la luz azul de la lámpara

al lado del estante de libros erigiendo un clima de ritual

sugestión de cosa esotérica

seguro se miraban

y quedaban de volverse a encontrar otro día

(las noches pasaban presurosas)
 
 

4

nuestros hábitos delicados y perversos

nuestras diversiones medio delincuentes, medio filosóficas

nuestros placeres íntimos y raros

las pláticas irisadas de memoria

gestos poco a poco entrelazándose

en la plenitud de la familiar desnudez

mientras nos íbamos transformando

en los pulsantes personajes crepusculares

de nuestras historias

rodeados por un silencio vivo, un tiempo latente

de la noche recorrida

para no llegar a lugar alguno

durante el día

éramos simples mortales
 
 

5

es hora de decir claramente cómo son las cosas:

             tú abres tus puertas tus piernas tus brazos tu boca tu cuerpo

                    tú te abres totalmente

                                    yo me embarco en ti

                    yo me engancho me prendo me agarro y navego en ti

              planeo en un juego de arriesgado equilibrio

                         me hundo en tus abismos

                                         navego suavemente tu brisa

                         enfrento tus maremotos

               viajo por tu velocidad

                          me pierdo en la maraña de tu pantano, en el laberinto de tierra y de arena,

                                      de agua del mar y de agua dulce

                                             nosotros somos el pantano y somos el laberinto

               me ciego en tu blancura

                     me levanto en tu ondulación

               eres el planeta en donde poso

                     la nube en que me envuelvo

               aura estelar, disipación de caudas de cometas

llévame y condúceme

            en esa danza desarticulada

            hacia la lejanía                    hacia lo alto                          hacia lo profundo

                    arrástrame

amor oxímoro

amor, palabra de paradojas


 

6

tus ojos tienen muchos colores

que reflejan el brillo de cada hora

extrañas palabras

atraviesan nuestra plática

ES PRECISO QUE SEAMOS MODERNOS COMO EL AMOR

pero no sé

si no retrocederemos

confundidos delante de la visión de nuestra crueldad
 
 

7

ah, pero tú no viste nada

esa fiesta a la cual me invitas

sólo puede ser en la claridad del herbajal en llamas

en el subsuelo del edificio derrumbado en escombros
 

pues el verdadero amor, el amor sumado al placer, es otra cosa
  overdose, éxtasis infernal que fatalmente nos destruirá
 
Poemas para ler
en voz alta
 
1

EROS
 

viajantes inertes

imersos no silêncio dessas horas

quando o tempo não é mais tempo

porém lassidão

e nossos corpos arquejantes construções

envoltas em nudez

testemunhada apenas pelos objetos da casa, os quadros na parede, os pesados móveis, os livros e suas lombadas, vasos de plantas, espelhos, e mais a negra silhueta dos prédios recortados contra a janela

rosto cego da cidade agora adormecida a observar-nos fixamente

eu bruxo, você sibila

que deuses cultuamos?

parados na pausa entre sobressaltos

que alquimia inventamos?

o peso que nos paralisa e adormece

não é cansaço

porém outra coisa

sensação do profundo

o obscuro sentir

do mundo que respira

pelos poros da escuridão

e nós, manietados pelo prazer, apenas conscientes

da presença dos objetos da casa, móveis, vasos de plantas, livros, almofadões espalhados pelo chão, nossas roupas jogadas ao acaso, mais o negro recorte dos prédios por trás da janela,

perfil da paisagem urbana, impassível testemunha

mal sabemos quem somos

lembramo-nos apenas dos nossos nomes

restam-nos o repouso e uma intuição

desperta para o morno mundo de nossos corpos

nunca, nunca havia sentido isso antes assim
 

2

quando o calor da noite de verão

e a chuva da noite de verão

se encontram

e são a mesma torrente de vida a escorrer por nossas artérias

então

reconhecemo-nos pelas carícias

um arco-íris pode sentar-se à cabeceira da cama

uma nuvem pode servir de cobertor

uma paisagem de sol nascente

em uma praia pontilhada de tendas de campistas

reflete-se no lago luminoso do seu ventre

a montanha e sua encosta recoberta de matagais

onde certa vez nos perdemos entre nascentes de rios

projetam sua sombra em suas coxas

planícies batidas pelo vento alísio

que atravessa o continente, o universo

são nossa imaginação febril
 
 

3

a colcha era verde

e a lâmpada azulada

costumavam ouvir músicas lentas e suaves

achavam que a estante repleta de livros tinha um ar solene

e gostavam disso

de qualquer coisa

que sugerisse um ambiente sobrenatural

eram rápidos, muito rápidos em seus jogos intelectuais

serviam-se em taças transbordantes, borbulhantes

e tudo era praticado com uma certa indiferença

com a naturalidade de há tanto tempo

termos nos habituado a estar juntos, a ficar nus, a beijar-nos na boca

deitar-nos sobre a colcha verde do sofá, à luz azul da lâmpada

ao lado da estante de livros compondo um clima de ritual

sugestão de coisa esotérica

decerto olhavam-se

e ficavam de voltar a encontrar-se outro dia

(as noite passavam depressa)
 
 

4

nossos hábitos delicados e perversos

nossas diversões meio delinquenciais, meio filosóficas

nossos prazeres íntimos e raros

as conversas irisadas de memória

gestos aos poucos entretecendo-se

na plenitude da nudez familiar

enquanto íamos nos transformando

nos pulsantes personagens crepusculares

de nossas narrativas

rodeados por um silêncio vivo, um tempo latejante

da noite percorrida

para não chegar a lugar algum

durante o dia

éramos simples mortais
 
 
 

5

é hora de dizer claramente como são as coisas:
você abre suas portas suas pernas seus braços sua boca seu corpo
  você se escancara
  eu embarco em você eu me engajo me prendo me agarro navego em você
plano em um jogo de arriscado equilíbrio
  atiro-me em seus abismos
  singro suavemente sua brisa enfrento seus maremotos
viajo por sua velocidade  
perco-me no emaranhado de seu pântano, no labirinto de terra e de areia, de água do mar e de água doce
  - nós somos o pântano e somos o labirinto
cego-me em sua brancura
  alço-me em sua ondulação você é o planeta onde pouso
  a nuvem em que me envolvo aura estelar, dissipação de caudas de cometas

leva-me e me conduz
 

nessa dança desarticulada

para mais longe para o alto para o profundo
 

me arrasta
amor oxímoro

amor, palavra de paradoxos


6

seus olhos têm muitas cores

que refletem o brilho de cada hora

estranhas palavras

atravessam nossas conversas

É PRECISO QUE SEJAMOS MODERNOS COMO O AMOR

mas não sei

se não recuaremos

confundidos diante da visão da nossa crueldade
 
 

7

ah, mas você não viu nada

essa festa para a qual me convida

só pode ser na clareira do matagal em chamas

no subsolo do edifício que desaba em escombros
 

pois o verdadeiro amor, o amor somado ao prazer, é outra coisa
  overdose, êxtase infernal
que fatalmente nos destruirá

Claudio Willer es poeta, ensayista y traductor. Tiene una formación académica como sociólogo y psicólogo.

Ha publicado:

    Anotações para um Apocalipse, Ediciones Massao Ohno, 1964, poesía de manifesto; Dias Circulares, Ediciones Massao Ohno, 1976, poesía de manifesto; traducción y prefacio de Os Cantos de Maldoror, de Lautréamont, 1ª edición, Editora Vertente, 1970, 2ª edición Max Limonad, 1986; Jardins da Provocação, Ediciones Massao Ohno/Roswitha Kempf, 1981, poesía y ensayo; Selección, traducción, prefacio y notas de Escritos de Antonin Artaud, Ediciones L&PM, 1983 y reediciones sucesivas; Selección, traducción, prefacio y notas de  Uivo, Kaddish e outros poemas de Allen Ginsberg, ediciones L&PM, 1984 y reediciones sucesivas, 1999; Traducción de Crônicas da Comuna, colección sobre una Comuna de París, textos de Víctor Hugo, Flaubert, Jules Vallés, Verlaine, Zolá y otros, Editora Ensaio, 1992; Volta, narrativa en prosa, Iluminuras, 1996. Lautréamont - Obra Completa - Os Cantos de Maldoror, Poesias e Cartas, edición con prefacio y comentada, Iluminuras, 1997.

    Se prepara para publicar su próximo libro de poesía, Estranhas Experiências, es un ensayo, Sobre Poesia Surrealista.

    En antologías y publicaciones colectivas, entre otras, Alma Beat, Ediciones L&PM, 1985; Colección de poemas eróticos Carne Viva, org. Olga Savary, Achiamé, 1984; Folhetim - Poemas Traduzidos, org. Nelson Ascher e Matinas Suzuki, ed. Folha de São Paulo, 1987, con una traducción de Octavio Paz; Artes e Ofícios da Poesia, org. Augusto Massi, ediciones Artes y Oficios - Secretaría Municipal de Cultura de São Paulo, 1991; Sincretismo - A Poesia da Geração 60, org. Pedro Lyra, Topbooks, 1995.

    Traducido y publicado en el  exterior, entre otros lugares, en Quinta Intermundia, Rassegna di Poesia Internazionale, 1992, compilado por Márcia Teófilo; Modernismo Brasileiro und die Brasilianische Lyrik der Gegenwart, antología de poesía brasileña por Curt Meyer-Clason, Druckhaus Galrev, Berlín, 1997; Narradores y Poetas de Brasil, comentario de Floriano Martins, revista Blanco Móvil, primavera de 1998, México, DF.

    Ha publicado poemas y colaboraciones, también, en revistas literarias: Poesia Sempre, Azougue, Alguma Poesia, Anto (Portugal), Continente Sul-Sur, Orion, etc.

    Su bibliografía crítica está formada por ensayos, reseñas, reportaje y comentario en obras de consulta: Afrânio Coutinho, Alfredo Bosi, José Paulo Paes, entre otros.

    Como crítico y ensayista, colabora en suplementos y publicaciones culturales: Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, revista Isto É, periódicos Leia, Folha de São Paulo, revistas Cult, Correio Braziliense, Xilo, etc., y en proyectos de imprenta alternativa: Versus, revista Singular e Plural y otros.

    Textos, resumen biográfico, bibliografía y otras informaciones en bancos de datos y "sitios" como: Módulo Literatura Brasileira, Setor Poesia, del Centro de Informática y Cultura, Banco de Datos Informatizado del Instituto Cultural Itau; y en http://www.dialdata.com.br/casadasrosas ("Literatura main menu"), http://www.livcultura.com.br (Librería Cultura, seção Biblioteca Ideal), http://www.users.sti.com.br/efres ("site" Pop Box), http://www.secrel.com.br/jpoesia (Periódico de Poesia), http://www.zaz.com.br/blocos (Revista Blocos).

    Después de ocupar otros cargos y funciones en la administración cultural, desde 1994 es asesor de la Secretaría Municipal de Cultura de São Paulo, responsable de los cursos, oficinas literarias, ciclos de exposiciones y debates, lecturas de poesía.

    Ha tenido decenas de participaciones en congresos, seminarios, ciclos de palestras, presentaciones públicas de autores, etc., en Brasil y en el exterior.

    Actual presidente de la União Brasileira de Escritores (UBE), fue electo en marzo de 2000, cargo que ya ha ejercido en dos mandatos anteriores (1988-92), y también fue secretario general en otros dos (1982-86), presidente del Consejo de la entidad (1994-2000).



 

Argos 16/ Poesía